Já o escrevi várias vezes e torno a fazê-lo: desde o covid que estamos pior como sociedade.
Durante anos, na sociedade portuguesa tem havido um esforço enorme para quebrar o preconceito com a falta de igualdade dos direitos das mulheres.
Impuseram-se quotas nos cargos políticos e económicos, promove-se o empreendedorismo feminino, na educação promoveu-se o valor da igualdade. As mulheres em Portugal são livres e têm direitos iguais aos homens. Tudo faz(ia) sentido.
Agora e no uso da liberdade, aparecem movimentos de mulheres ultra conservadoras a defender passos atrás na igualdade. Defendem a mulher casada, submissa, sem direito a opinião e para quem as nódoas no corpo é o "bateu na parede". Há uns atrás parecia ridículo e impossível de acontecer. Hoje realiza-se e com o aval de um partido de extrema direita e de uma Igreja Evangélica que vai ganhando cada vez mais poder.
Mulheres que chegaram às televisões e à política graças às conquista do feminismo, organizam-se precisamente para combater a cultura que tornou possível a sua visibilidade. Usam o privilégio adquirido dos seus diretos para ofuscar os direito das outras. Já não bastava os grupos sociais ocultos da manosfera organizados por homens, vem agora este movimento iniciado pelas próprias mulheres.
Querem defender os "valores eternos" — a vida, a família, o casamento, a verdade de Deus? Defendam*.
Querem ser vitimas de violência dos vossos maridos? Sejam
Querem ser controladas? Que sejam
Mas não imponham isso aos outros. Fazer de escolhas individuais bandeiras coletivas para jugarem outras mulheres, é fazer da sua liberdade, a liberdade das outras.
Ao ponto a que chegamos e não fica por aqui.
* Retirei esta frase no LinkedIn partilhado por uma senhora. Esta alma além de escrever patetices, ainda ataca a comunicação social por dar visibilidade a este movimento...

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