O 25 de Abril e a espuma dos dias


Já há seis anos que o escrevo e volto a repetir: viemos muito piores do covid. A data de 25 de Abril nunca fez tanto sentido ser lembrada como é agora.

Nas escolas portuguesas, os professores chocam-se com discursos regressivos ao nível da misoginia. Parece que estamos a voltar ao passado sombrio, com as crianças a terem discursos racistas e de menorização da mulher.

Talvez estivesse na altura de rever os currículos da disciplina de História, reduzi-lo e dar tempo para se chegar ao 25 de Abril (1974). Já na minha altura, os currículos eram tão extensos que nenhuma disciplina/professor conseguia cobrir tudo.


Façamos o exercício: ao nível de valores da sociedade e dos jovens: como estamos hoje face a 2019?


Nos últimos dias, a espuma levou-nos a 30 segundos da pergunta de uma famosa apresentadora e não se discutir o crime em questão. O alvo Cristina sobrepôs-se ao alvo "violação", ao alvo "misoginia", ao alvo "crime". Não vejo os ativistas preocupados com os Afonsos Rodrigues desta vida. Por medo? Por não gerar likes? Por não chamar a atenção?


Enquanto assim for, vamos continuar a caminhar para um mundo cada vez pior, como já estamos agora.

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