As imagens que nos chegaram da Região Centro são horrorosas e arrepiantes. As histórias igualmente.
Felizmente não tive família nem conhecidos afetados. Também moro numa freguesia costeira.
Pode acontecer a qualquer um de nós.
Já tínhamos tido a lição durante o apagão e agora a confirmação, dura e cruel. Estamos demasiado dependentes da eletricidade e da internet. Sinais do tempos, sim, mas quando elas falham é o fim do mundo.
Mais uma vez vimos que os serviços essenciais não têm geradores suficientes (li que havia apenas uma farmácia aberta na Marinha Grande e os posto de combustíveis fechados porque não havia geradores).
Por outro lado, aprendemos que o conselho dado após o apagão de ter uma pequena quantia em dinheiro vivo em casa e um kit de primeiro socorros é essencial. Nem oito meses depois, as pessoas precisaram dele.
Outra curiosidade são os carros elétricos. Quem os tem e não tinha bateria, lixou-se. Sem os poder carregar, fica completamente impedido em cenários de crise real.
À semelhança de outras situações, vemos o espírito de comunidade e solidariedade do povo português. A sociedade está a mobilizar-se com muitas partilhas. Hoje, muitos voluntários foram a pôr mãos à obra para limpar as cidades. Há sempre criminosos que se aproveitam para roubar geradores, assaltar estações de água, burlar e quiçá até pilhar (não tarda, vão chegar vídeos de assaltos a casas desprotegidas às redes sociais).
Outra nota que me ficou foi a total falta de empatia dos governantes. Frases frias e curtas, nos "gabinetes" e uma ausência chocante. Ninguém deu a cara inicialmente.
Sendo uma catástrofe natural, aquilo que se espera é mínimo de empatia, aquilo que em inglês chamam o "take care". Os autarcas, coitados, estão a dar o que podem e o que não podem, de um Interior esquecido. Marcelo Rebelo de Sousa tardou nos "afetos" - só se lembrou deles dois dias depois... Já o escrevi no Sardinhas e escrevo outra vez. Tivemos uma ministra da Administração Interna, Constança Urbano, que foi escorraçada pelo atual Presidente da República que dava a cara, se emocionava e estava presente. Agora, temos um bloco de gelo. Um político não tem de estar só no gabinete. Tem de dar cara, ser empático, dar proteção às pessoas. Faz parte das suas funções.
P.S: não vou falar dos vídeos ridículos do ministro nem do extremista de direita a acartar garrafas de água para as camaras de telemóvel. Nem merecem!
Completamente de acordo. Ou quase. Os autarcas tinham obrigação de fazer muito mais. Não agora, como é óbvio, mas antes deviam estar precavidos para cenários de catástrofe. Com o dilúvio de dinheiro que escorre actualmente para os cofres municipais admite-se, só a titulo de exemplo, que por alturas do apagão muitos municipios não tivessem sequer um gerador?
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