
Esta semana precisei de me deslocar a um serviço na cidade. Um calor abrasador e com o estacionamento todo pago nas ruas principais, tive de estacionar um pouco mais afastado.
Uma rua que outrora tinha árvores, que além da questão ambiental, faziam sombra, deram lugar a uma ciclovia. Asfalto e cimento.
Em 2020, quando ainda estávamos atordoados pela pandemia, a Câmara cometeu um arboricídio. Comentei o seguinte:
Para fazer a obra de "regime" e inaugurá-la a tempo das eleições autárquicas, a Câmara decidiu abater todas as árvores da Rua 19, o já chamado "arboricídio" em nome de uma ciclovia. A notícia do Público é desgastante: "árvores colidem com ciclovia e Câmada manda arrancá-las". Levou-me refletir: se queremos cidades mais verdes, qual o custo em termos de segurança, localização e sacrifícios que é preciso fazer para ter as ciclovias? Até que ponto a sua localização é exequível para as pessoas circularem em segurança? Até que ponto faz sentido "plantar" no meio da cidade e do caos do trânsito ciclovias de poucos metros? Já morreu pelo menos uma pessoa? Em Espinho, custou a vida a dezenas de árvores saudáveis.
Nas eleições, o partido que tomou esta decisão foi corrido da Câmara. Não sou arquiteto paisagista, mas sinto duas coisas: i) aversão à presença de árvores nas novas empreitadas públicas; ii) a aversão dos políticos que aprovam a ausência de verde.
Nestes dias de calor, senti falta dessa sombra. Uma ciclovia parece valer mais que sombra e oxigénio.
Ontem, em zapping cruzei-me com um programa da RTP que estava numa cidade a fazer um direto de um parque municipal. Relva (seca devido ao calor) e sem árvores. Um parque que mais parecia um descampado.
As árvores para além fornecerem sombra, também fornecem oxigênio. Os espaços verdes são cada vez mais necessários.
ResponderEliminarDepois das rotundas, vieram as ciclovias, nem que tenha de matar árvores com muitos anos.
ResponderEliminarA razão para isso são os milhões de carros que estacionam em cima dos passeios (e das ciclovias ou ficam 3 metros na faixa de rodagem), que se cair um ramo, a autarquia tem de pagar os danos, mesmo que um carro esteja estacionam em cima de sinais de proibido estacionar. Assim, jogam pelo seguro. Nada de árvores nas zonas onde é 100% certo que iram estar carros e que uma rajada de vento mais forte pode dar 300000 euros de prejuízo.
ResponderEliminarA maioria das autarquias não rega os jardins/parques, devido ás regras de poupança de água potável. Daí muitos parques estarem com a erva seca ou acastanhada. Já há alguns 7 ou 8 anos que essa é regra em quase todo o país. Algumas autarquias já aproveitam águas das ETAR para as regas mas, são poucas.
Esse argumento é válido para as ruas onde podem estacionar carros, mas nas ruas pedonais tbm se vê uma desertificação de árvores, infelizmente.
ResponderEliminarQuanto à relva, não critico pois já imaginei que fosse isso e faz sentido. Critico mesmo a ausência de árvores no parque.
A prática que contraria o discurso.
ResponderEliminarIgual em todo o Planeta.
Boa semana
As árvores também ajudam a "limpar" a água :)
ResponderEliminarA mim faz-me igualmente confusão verem como se cortam árvores na boa, para construir estacionamentos, etc.
Ou esses parques como falas, sem uma única árvore.
Isto está a caminhar para uma situação sem retorno.
Tenho pena que tenham acabado com a possibilidade de se comprar árvores para alguém plantar. Eu já ofereci num Natal passado, árvores ao pessoal
Beijocas
Que raiva que sinto quando as árvores dão lugar a espaços de lazer sem sombra.
ResponderEliminarÉ mesmo um arboricídio
Levam-nos o que temos de melhor em nome da "diversidade de opções" e da "inovação".
ResponderEliminarAs árvores não votam...e o povo quer é festas. Dêem -lhes "cultura" que é eleição garantida!
ResponderEliminarUm dia destes teremos florestas de asfalto.
ResponderEliminarParabéns pelo destaque.
Beijinhos
Eu desde que fui mãe, reparei que não posso levar a minha filha a um parque infantil no verão, pelo menos na minha cidade, não há sombras, os escorregas queimam só do calor que está. Mas como alguém disse as árvores não votam
ResponderEliminarÉ a aversão às árvores por parte de alguns, e a aversão aos assuntos importantes por parte de outros. Qual é o pior?
ResponderEliminarSó discordo quando escreve que existe aversão aos políticos que não gostam de árvores. Não é verdade. A aversão era provavelmente à ciclovia. Já no século XIX es escrevia sobre Portugal que os portugueses não gostavam de árvores, não as plantavam e que os camponeses estavam sempre à espera da primeira oportunidade para as cortar (não tenho o livro comigo, mas isto vem num livro da Maria Filomena Mónica sobre os relatos dos estrangeiros que visitaram Portugal).
ResponderEliminarAqui na minha zona também se faz isso: não há árvores fora do centro da vila. Mas a Câmara apregoa-se como "sustentável" e ganha as eleições com maioria absoluta. A única coisa que cresce mesmo é lugares de estacionamento. Árvores e ciclovias é para os pategos, só os popós é que têm direito a existir. O conceito de urbanismo é alcatrão, pedra e cimento. Mas isto com um rótulo "sustentável" e a ganhar maiorias absolutas.
Vamos por partes.
ResponderEliminar1º- Sou plenamente a favor das árvores nas cidades e nos campos e completamente contra à sua morte, reconhecendo-lhe o valor que representam.
2º - Não entendo, a forma como se deixa crescer árvores em espaços urbanos (a árvore não pode crescer eternamente) pelo que nestes espaços não percebo porque não são podadas antes que atinjam copas descomunais.
3º - Não entendo também como se deixa crescer sebes e árvores que ocupam espaço público em meio urbano, passeios por exemplo, obrigando peões a circular na estrada e como se deixa que elas impeçam que muitas casas possam usufruir de exposição solar. Conheço casas, que quando foram construídas tinham sol o dia todo e que foram rodeadas de árvores que crescem em espaço privado, ficando agora sem sol durante todo o dia.
3º Plenamente a favor do crescimento das árvores fora dos espaços urbanos, ainda que não entenda, como as mesmas crescem ao ponto de tapar monumentos que existiam muito antes das árvores lá terem chegado e que foram erguidos nesses locais justamente para serem vistos e para terem vista.
ciclovias onde há dias que nem uma bicicleta passa.
ResponderEliminarQuando estou junto das árvores sinto-me com mais vida. Existe algo nas árvores que apaga a solidão.
ResponderEliminarnao consegui perceber se é maior a saudade dessas arvores se a aversao ás ciclovias.
ResponderEliminarescrevi aversao, digamos inconsciente, distraido, mas estou a reparar que está usada tambem por outros leitores, provavelmente tambem está no post, cujo obviamente li
ResponderEliminarConcordo com o que escreve. Se fossem essas situações, não haveria tema. O problema é o abate indiscriminado de árvores, prejudicando a qualidade de vida da população. No caso de espinho, as árvores não limitavam o passeio.
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