
Nestes dias, li "A máquina de fazer espanhois" de Valter Hugo Mãe.
Aluguei este livro na biblioteca após uma sugestão da Andreia: um autor português com uma história portuguesa. O que me cativou? O protagonista ser um idoso enviado pela família para o lar após ter ficado viúvo.
O lar chama-se Casa Feliz Idade e toda a ação é relatada a partir da visão de um idoso "despachado" pela filha. Desde o dia em que chega, a negação inicial, o sentimento de abandono, de perda, de vitimização e as novas amizades que as pessoas são forçadas a ter. A história mostra que até para ser idoso é preciso ter sorte no lar que a família escolhe (e paga), nos auxiliares que se encontra e na ganância de quem o gere.
Assim, as personagens são os residentes do lar e as relações humanas que é possível construir na reta final da nossa vida, bem como as diferentes perspetivas dos utentes. Desde os que vêm como umas férias com os serviços de cuidado, os que vêm abandonados e os que são forçados.
Adicionalmente, é feito um exercício muito interessante de memória da personagem principal, quando pensando nas decisões mais importantes da sua vida, recorda o momento em que denunciou um dissidente à PIDE durante o Estado Novo.
Houve uma coisa que chamou a atenção neste livro: não haver travessões para diálogos nem letras maiúsculas no inicio das frases.
Não é comum, nem comercial e muito menos cinematográfico a escolha destas personagens e estes sítios tão esquecidos para uma história. Acaba por ser um livro de leitura portuguesa, forte mas bonita, sem traumas e que nos dá uma perspetiva que na correria do nosso dia a dia nem nos apercebemos. Só por isso já valeu a pena.
Review da Andreia aqui.
Fico mesmo feliz por teres gostado :)
ResponderEliminarA primeira obra que li do autor foi A Desumanização e conquistou-me de imediato. Quando li este, fiquei na dúvida entre qual é o meu favorito, porque A Máquina de Fazer Espanhóis é genial!
Grato pela partilha, Muito interessante, que uma das suas principais decisões tivesse sido denunciar um dissidente à PIDE.
ResponderEliminarBom fim-de-semana
Nunca li este autor, confesso que fiquei com alguma curiosidade.
ResponderEliminarBeijinhos
Adorei ler "Filho de mil homens", por isso tenho curiosidade em todos os outros livros dele. Tenho "A desumanização" à espera.
ResponderEliminarBom fim de semana
Tenho que ver se esses há na biblioteca, mas tbm fiquei com curiosidade em ler mais. Boas e bonitas histórias, com temas pouco comerciais mas muito reais.
ResponderEliminarNão conhecia
ResponderEliminarAdorei o título e a história cativa. Bela sugestão. Bom verão 😉
ResponderEliminarObrigado pela sugestão !
ResponderEliminarObrigado e igualmente!
ResponderEliminaré uma história pouco comum (vá, pouco comercial) mas muito bonita!
ResponderEliminarFoi o primeiro livro que li e gostei.
ResponderEliminarPor isso é que gosto de autores portugueses
ResponderEliminarInteressante.
ResponderEliminarAcho que li um livro deste autor, mas não me recordo qual.
Boa sugestão de leitura
ResponderEliminarObrigada. beijinhos
O Miguel Real também escreve assim...
ResponderEliminaresse não conheço
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