Leviandades

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Esta semana, dois atos irrefletidos mostraram que estamos a promover uma sociedade cada vez menos inclusiva e estamos piores no pós confinamento.


 


- "Preta" numa notícia da Ag. Lusa


Um jornalista de política que costuma noticiar a extrema direita publicou uma notícia em que numa lista de nomes colocou entre parêntesis o adjetivo "preta" para assinalar que pessoa tinha côr de pele negra. Intencional e racista.


O facto passou despercebido ao editor e a todos os jornais que se limitaram e se limitam a fazer copy paste das notícias de agências para encher páginas e mostrar conteúdos aos anunciantes. Desta vez a preguiça saiu cara (aliás irrita-me os jornais obrigarem a fazer o login num "Nonio" para depois se limitarem, em 90% dos conteúdos, ao copy paste da Lusa - chegamos ao ponto de termos a mesma notícia exatamentr igual em todos jornais). Uma falha grave não foi detetada e levaram todos por tabela. Rolou a cabeça do editor, mas não sei o que aconteceu ao jornalista. O despedimento era o certo numa empresa privada, mas sendo a Agência Lusa...


 


- "Gorda" numa novela


Tanto se quer ter piada, que a graçola se torna em ofensa. Uma personagem ridiculariza e inferioriza as pessoas com excesso de peso, sem qualquer reprovação da contrapersonagem, na circunstância um padre. Representam o "vale tudo" de guionistas e atores que não questionam criticamente o texto apenas para aparecerem na ribalta e captar mais um like ou audiência.


 


Dois exemplos levianos que mostram a sociedade: o preconceito gratuito, o extremismo e repito o que disse no texto da ditadura da imagem do Diogo Piçarra. Neste pós confinamento, estamos a distanciarmo-nos de uma sociedade inclusiva e daquilo que os nossos pais e a escola nos ensina, que é respeitarmos os outros como eles são, a pormo-nos na pele do outro e a não gozar.

Comentários

  1. O recorde da estupidez, foi o jornalista da agência LUSA, não ter sido despedido depois do episódio.

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  2. Cada vez estamos mais radicalizados. Da politica ao futebol, do jornalismo à escola.
    Bom domingo

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  3. "estamos a distanciarmo-nos de uma sociedade inclusiva e daquilo que os nossos pais e a escola nos ensina, que é respeitarmos os outros como eles são, a pormo-nos na pele do outro e a não gozar."
    Uma triste realidade, infelizmente!
    Bom domingo!
    Cuida-te!

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  4. Em vez de avançarmos para uma sociedade melhor ... dá-me a sensação que estamos a recuar cada vez mais!

    Beijinhos
    Resto de Bom Domingo

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  5. A sociedade está cada vez mais egoísta e egocêntrica. Nada de novo. Agora é grave a " gralha" do jornal ter passado por vários.

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  6. E por outro lado a ser super-sensíveis, vidrinhos.
    Vá-se la entender.
    Boa semana

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  7. A sério que isto aconteceu? Anda tudo louco, a sério.

    Beijocas

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  8. Eu digo muitas vezes que quanto mais progredimos na tecnologia, e porque a tecnologia veio trazer muita coisas coa, mas trouxe outros males pois regredimos nos valores , no convívio com os outros, e muito nos afectos, que fazem muito, muita falta.

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  9. Só o que conta é as vendas, as audiências..
    Ninguém pensa que chega o fim do dia, acabam as gravações e aquela pessoa teve de ser chamada daquele modo. Ou é muito forte ou então não sei.

    Pelo que sei o jornalista, não foi despedido depois dessa "maravilhosa palavra"

    Estamos num excelente caminho..

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  10. O jornalista foi "dispensado" ou "demitiu-se", dependendo da fonte, ficando a trabalhar até terminar o processo disciplinar, depois de terem aceite a demissão do director. O jornalista Hugo Godinho, é um reconhecido membro do Chega e que está na lista para ser candidato a um cargo de vereação na Câmara Municipal de Lisboa.
    Sobre as cópias de notícias, é a forma mais barata de fazer jornalismo... um script instalado em qualquer canto do mundo publica. Ainda há poucos dias, aconteceu o mesmo em quase todos os sites e redes sociais, numa notícia sobre a descoberta de uma aldeia, dos tempos da idade do bronze, no fundo de um lago em Lucerna, Suiça. Quem traduziu aquilo não notou que num dos parágrafos, a noticia original tinha Swiss, em vez do nome completo, o tradutor foi à procura da palavra mais próxima que seja um país... Suécia. Em poucos parágrafos, Lucerna passou a estar num lago, que faz fronteira com a Suécia e que foi uma barragem sueca a encher o lago. Mesmo depois de avisado (creio que o primeiro foi na Rádio Renascença, que corrigiram em poucos minutos, depois das reclamações) a maioria dos sites, ainda hoje, tem a referência à Suécia, como 99,999% dos leitores não chega a meio do texto, poucos reclamam e mais ninguém dá por isso.

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  11. Eu vi uma foto partilhado do jornalista num comício do Chega, mas poderia ser ele a passar no palco e aproveitarem para fazer uma "fake" news. É destas incoerências que não percebo. Porque põe um jornalista que está nas listas autárquicas a ... fazer jornalismo de política.
    Possivelmente, o editor até é o menos culpado. Pode-lhe ter sido imposto. Não sei.
    É uma forma barata e preguiçosa. :(

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  12. Parece que damos passos atrás na inclusão :(

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  13. Quando existe possibilidade de terem "alguém no palco", é mais fácil arranjar informações. Um membro do partido será uma fonte de notícias antes de todos os outros saberem.

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  14. é o desleixo, "copy paste" e preguiça em se limitarem a clicar no botão "publicar". Tudo errado aqui.

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  15. Como diz a Maria, qto mais tecnologicamente avançados estamos, mais regredimos!

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  16. Apesar de cada vez haver mais informação sobre o Mundo e onde se deveríamos todos ser mais responsáveis perante o conhecimento de tudo o que se passa na Terra, somos cada vez mais narcisistas e olhamos cada vez mais para o nosso próprio umbigo :((( !

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  17. Entretanto se verá o que vai acontecer, mas ... é tudo muito leviano.

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  18. Nem queria acreditar quando li acerca da primeira notícia.

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  19. A facilidade com que se deixa escapar a suposta sinceridade... :-(

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  20. Percebo a lógica do teu argumento em relação ao "gorda". Ainda assim, por exemplo, falo-te de mim. Quando era gordo, era gordo, não queria me chamassem cheio ou encorpado, como aconteceu. Era gordo. Dizer que alguém é gordo não é um insulto, é um facto. Dizer que os gordos são uns ranhosos é um insulto. E digo o mesmo em relação ao preto e ao branco. São factos. Uma pessoa é preta ou branca (ou mais amarelada). Mas dizer que é preta torna-se num insulto quando dizemos coisas como "olha-me aquele preto". Obviamente que a utilização naquele artigo foi ofensiva e racista. Não ponho mesmo isso em causa.
    Mas preto, branco, gordo, magro são factos, são coisas que vemos. A forma como usamos as palavras é que pode ser ofensiva, mas isso vai ser assim com milhões de palavras.
    P.S.: concordo com a observação sobre a impotência e a falta de qualidade do nonio e da maioria dos meios de comunicação do país.

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  21. Sem dúvida, no caso em apreço os "gordos" foram chamados e usados em tom depreciativo. :(

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  22. Entre sinceridade e maldade, as ofensas saem :(

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