O teletrabalho e a não legislação

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O teletrabalho tornou-se obrigatório há um ano.


 


Não foi uma opção, foi uma obrigação legislativa. Com maior ou menor dificuldade, tivemos que nos adaptar. Já o disse e repito, abdicava dele. O facto do local de trabalho ser exatamente o mesmo do de lazer gera-me desconforto e dificulta a dificuldade em desligar, aind apor cima de Inverno que anoitece mais cedo e temos menos sensibilidade.


É bom de vez e quando mas estar há doze meses nisto, não é nada bom.


 


Porém, apenas um ano depois ... é que os nossos partidos se lembraram de legislar e apenas um tem falado disso, o que atesta a (não) proximidade dos governantes e classe política dos problemas reais da população.


 


Vamos por partes:


- Uma das iniciativas em cima da mesa é a entidade patronal comparticipar algumas despesas fixas.


Da minha experiência pessoal, ao nível da conta da Internet não tive qualquer impacto. Pode estar um pouco mais lenta devido ao peso dos ficheiros, mas não tive qualquer custo adicional.


Ao nível da eletricidade, senti diferença em Janeiro. Foi a primeira vez em 32 anos que senti quão fria é a casa dos meus pais no Inverno. Naquelas duas semanas de vagas de frio, sempre em casa e sentado, ligar o aquecedor tornou-se inevitável. A conta no mês de Fevereiro foi mais elevada que o habitual e contribuí com o excesso no pagamento, claro.


É um facto: se estivesse na empresa não teria esse custo adicional.


E verdade seja dita, tirando esse mês, não é a tomada do portátil nem a luz ao fim do dia que fazem pagar mais.


 


- Direito/dificuldade em desligar


Tornou-se mais difícil. Senti isso mais no Inverno. A falta de rotina e de compromissos por estar tudo confinado, não ajuda.


 


- Por outro lado, há algumas poupança como o transportes (seja passes ou combustíveis). Ao nível de roupa, não tenho comprado nada. Em 2020 comprei duas peças e em 2021 nada. Ando a "romper" roupa velha e calças de fatos de treino.


 


- Uma das raínhas do comentário televisivo e avenças, lançou uma linguagem preconceituosa apelidando de "burguês" quem está em teletrabalho com uma teoria manhosa de pagar (ainda) mais impostos. O teletrabalho, repito, não é uma opção. É obrigação. Quem não cumprir pode ser multado. Se por um lado se poupa nalgumas coisas, gasta-se noutras. 


 


- Por fim, fala na dificuldade de estabelecer relações com os colegas de trabalho. Estamos mais isolados e perdem-se laços.

Comentários

  1. Acho que fizeste uma boa análise do problema. Oxalá os políticos o consigam regulamentar, a contento da maioria, porque, para alguns, veio para ficar.
    Bom fim-de-semana!

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  2. Há prós e contras em tudo...
    (acredita que, há dias em que, "dava tudo" para não ter de ver pessoas!!!)
    Bom fim-de-semana!
    Cuida-te!

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  3. É complicado. Se fores ver, as alterações da segurança social demoraram 11 anos a ser definidas. O(s) governo(s) queria(m) de uma forma, sindicatos e patrões queriam de formas diferentes. Mesmo depois de aprovada (em 2009), para entrar em vigor em 2011, existiram alterações, queixas em tribunal, providências cautelares... que chegou a mudança de governo e foi para a gaveta. Misteriosamente, em Maio de 2015, os patrões aceitaram condições que andavam a recusar desde 2005. Os sindicatos não votaram. É essa a legislação actual.
    É que para definir os códigos de descontos e como podem ser representados contabilisticamente, exige muitos estudos como não violar alguma das 46933 alíneas. Por outro lado, as entidades patronais podiam resolver isso com muita facilidade... existem ajudas de custo que podem ser usadas, sem necessidade de comprovativos. Só que não dá jeito nenhum, pois a grandíssima maioria das empresas usa para pagar viagens, carros, telemóveis, despesas de familiares e coisas similares, dos corpos dirigentes, apresentar valores superiores iria levar a fiscalizações e lá se iam os 11 automóveis e os 30 telemóveis, além das perguntas sobre "as viagens à Holanda, para 5 pessoas, sendo que só 1 é funcionário"... além de usar esse campo exige o pagamento de IRS e segurança social, por se tornar um "prémio" habitual (outra razão para não o usar).

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  4. Eu gosto muito mas muito mais de ter dois locais distintos: o de lazer e perguiça e o de trabalho. Ansiosa por votar à normalidade.

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  5. É um assunto controverso, julgo que o teletrabalho vai acabar por ter uma legislação própria, uma vez que existem empresas que vão pretender continuar neste sistema
    Bom fim de semana

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  6. Quem está a trabalhar vê as suas despesas aumentar em todos os níveis. Claro que houve um aproveitamento das empresas e como já tinha dito muita coisa vai ter que mudar.

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  7. Eu estou em regime misto, alguns dias presencial, outros em teletrabalho.
    Pena que está a acabar


    Beijinhos
    Boa Noite

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  8. Nunca estive em teletrabalho. Creio que não iria gostar. Mto monótono.
    Gosto de sair de manhã, apreciar a paisagem até ao trabalho. 2 dedos de conversa ao tomar o café .

    Bom domingo, Último.
    Beijos⚘

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  9. Gostei da sinceridade, não anda muita por aí...

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  10. espero que se definam medidas justas, exequíveis e idóneas para ambos os lados.

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  11. acredito, há queixas dos dois lados. Acho que nem tanto ao mar nem à terra. Um ano de teletrabalho (forçado) começa a ser dramático.

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  12. é verdade, é complicado sim, fazer prova que o acréscimo de custo veio do teletrabalho e não de outras coisas, além da burocracia. Mais valia definir um complemento salarial não tributado e com valor máximo para esta situação igual para todos os colaboradores. Uma medida idónea e justa para ambos os lados. O último ano foi excecional e demorou-se um ano até se levantar a questão. Já para mudar a lei das candidaturas independentes nas autárquicas houve pressa. Quando há vontade, tudo se acelera.

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  13. O teletrabalho é obrigatório sim, mas muitas entidades patronais não perceberam isso.
    A minha situação, da qual falei num dos últimos posts é prova disso.
    Por não estar a gostar da minha prestação, ou por queixas e infâmias, enviou-me para casa em teletrabalho, contudo sem os mecanismos próprios para o poder realizar à distância! Um abuso, castigo?! Não sei...
    Possivelmente ficarei assim até ao final do contrato, depois ficarei no desemprego!

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  14. mesmo pq nunca se viveu uma situação destas e muito menos na cultura laboral portuguesa. No meu caso, houve poupanças de um lado, mas mais gastos de outro.

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  15. que sorte, preferia um misto. sempre dá para manter uma rotina. acho que só quando estamos privados, é que sentimos falta de algumas dinâmicas.

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  16. é isso mesmo. só damos valor quando somos forçados a abdicar disso.
    É verdade, Maria, comprei 5 morangueiras no horto para colocar na minha horta. Vamos lá ver como corre. esta semana partilho fotos do improviso que fiz :)

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  17. temos de ser jutos e ponderados nestas avaliações. nem sempre é fácil.

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  18. A minha empresa cumpre a lei. Já tinha a estrutura montada pq é multinacional e trabalho na área financeira. Agora, fazer bullying aos trabalhadores não pode ser.

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  19. Ja plantei os morangueiros. Vou enviar para o teu e-mail, se o permitires, fotos da minha horta.
    Ja tenho muita coisa plantada.

    Beijo.
    Boa semana⚘

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  20. Assuntos que devem ser avaliados e legislados com todo o cuidado !

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  21. Foi um tempo de adaptação a uma nova realidade.
    Que pode até modificar hábitos futuros...
    Abraço, boa semana

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  22. A minha sobrinha gosta do teletrabalho, mas diz trabalha muito mais, que precisa de conviver, de sair de casa , porque tem dias que desliga o pc muito para al
    em da hora.
    Imagine durante o tempo que as crianças estiveram em casa.
    Felizmente as creches abriram, o que aliviou a carga que tinha.
    Ela diz que devia ser alternado. Uns dias presenciais, outros em casa.
    Boa semana

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  23. Como já referi, eu gosto.
    Acabo por ganhar em tempo e liberdade para ir fazendo outras coisas nas pausas de almoço, por exemplo.
    Mas notei mesmo aumento foi na electricidade. Mas não ando a comprar passes, logo, compensa.
    A ter que ir à empresa, 1 ou 2 dias por semana, era o ideal. o resto, em casa.

    Beijocas

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  24. Eu, por um lado, tenho sorte de ter um espaço escritório, o qual fecho a porta, à 6ª feira e ajuda a não me sentir sempre ligada.
    Mas noto alguma diferença a nível de gastos energéticos, e muita a nível de mobilidade...
    A ver vamos qual é a próxima decisão...

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  25. E tu não tens filhos. As crianças são muito absorventes e quando muito pequenas não percebem o porquê da presença dos pais.
    Como tudo na vida há sempre coisas positivas e outras negativas...
    Mas há sempre quem só queira ver um dos lados.
    Forte abraço.
    (Feijoeiros e cebolo plantados).

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  26. Tudo aquilo que sinto relativamente ao teletrabalho, as coisas más e as boas. Também o que me chateia mais é não ter separação entre o posto de trabalho e a minha casa. É tudo o mesmo.
    Excelente análise

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  27. Chega a um ponto que se torna confuso e extenuante. Quando oiço que vai ser mais uma ano disto só pq sim, já me assusto.

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  28. é verdade, há quem esteja pior, nomeadamente quem tem filhos ou barulhos à volta de casa. Sinto que obrigam ao teletrabalho mas depois não há regulação. Mais um caso de má comunicação e desnorte. Tantos consultores pagos a peso de ouro e depois há coisas incompletas.

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