
Esta semana uma notícia chamou-me a atenção. Ao clicar, constatei que era exclusiva para assinantes.
Procurei no Google News a notícia e o site do jornal concorrente tinha a conteúdo da notícia resumido numa notícia aberta.
Fiquei a pensar nisso.
O modelo de negócio dos jornais digitais depende muito das assinaturas e dos cliques.
Se no caso das assinaturas existe esta espécie de concorrência desleal, põe em causa o negócio de cada um e da industria como um todo. Não me parece nada ética, ainda que refira a fonte e que é um "conteúdo pago". Ora bolas, se um coloca o acesso pago para passado uma hora já ter o concorrente a pôr aberto a resumir a notícia, não faz sentido.
Quanto aos cliques, já critiquei várias vezes a estratégia do clickbait: títulos imprecisos ou inconclusivos para levar o leitor a clicar, muitas vezes saindo as suas expetativas defraudadas. Tudo para mostrar o nº de visitas e pageviews aos anunciantes.
Porém, não é só nos medias que esta "xico espertice" acontece. Em muitas outras coisas, uns tentam ficar com o mérito e destruir o outro.
Faz parte do nosso ADN!
ResponderEliminarO jornalismo definha. Os jornais também.
ResponderEliminarClaro que prefiro ter a informação graciosamente - mas sei que, sem financiamento, terei cada vez mais sensação e menos informação. E portanto escolho pagar. No entanto, os jornais ainda não flexibilizam as assinaturas - não me apetece contratar o mesmo jornal durante todo o ano, pelo menos enquanto continuarem a noticiar "segundo o jornal de tal".
Não flexibilizam as assinaturas, não se adaptam... deixam de contar como fonte de informação.
Não te parece nada ético que um jornal publique em canal aberto o que outro, responsável pela notícia, publica em canal pago. Duas observações: 1. A maior parte dos jornais perdeu a noção de ética (e de deontologia) há muitos anos; 2. Essa é uma guerra de audiências que nada tem a ver connosco mas com o "dumping" que alguns grupos estão nitidamente a tentar fazer. A ERC, benzam-na os deuses, está atenta a coisa nenhuma, e a ASAE não se chateará com violações que tais porque, enfim, o jornalismo usou tanto do conceito de "liberdade de expressão" para violar o segredo de justiça sem que nada acontecesse que, agora que vai provando o próprio veneno, lhe deseja bom apetite.
"liberdade de imprensa", não de expressão
ResponderEliminarA partir deste mês ou de Outubro, o Sapo já permite comprar notícias avulsos. Chama-se "Sapo Prime" e está na home page. Mas enquanto houver esta concorrência desleal, corre-se o risco de algum outro site de noticias que vive do clique copiar e colar a noticia disponilizando-a gratuitamente.
ResponderEliminaré nos jornais e em muitas outras coisas. Se fosse chão que desse uvas, já estavam alinhadinhos.
ResponderEliminarSim, o Sapo Prime explora essa possibilidade. A venda de notícias avulso tem todo o sentido para reportagens de fundo, mas para notícias de actualidade, diárias, faria sentido vender o acesso diário ou semanal - as notícias tipo telegrama poderiam continuar gratuitas, mas as notícias "a sério" - aquelas que apresentam dados, que respondem ao quem-quando-como-o quê-porquê e não aparecem prenhes de opinião - seriam compradas no jornal que as gerou, o contrato impedindo a sua cópia ou divulgação integral durante x dias. À conta da liberdade de imprensa usurpa-se muito trabalho intelectual. [e é por entender que as notícias devem ser pagas que defendo dever o Estado suportar um serviço noticioso em canal aberto que não deve estar sob a alçada do Governo]
ResponderEliminarEstou cansada de começar a ler uma notícia e tropeçar no sacrossanto "segundo uma notícia publicada no" - bolas, isso é bom para nós, que não somos jornalistas e que opinamos de borla! :))))
Esta cambada está em todo o lado. Ha sempre um esperto à espreita
ResponderEliminarUm bom fim -de- semana.
Sem dúvida. este é só mais um exemplo. Mas se fosse chão que desse uvas já estariam alinhados.
ResponderEliminarEm todos os lados existe um xico esperto
ResponderEliminarEsta xico espertice tira-me do sério -.-
ResponderEliminarJá da outra vez vi isso, já não me lembro que jornal era, mas a notícia era importante... mas depois estava bloqueada. Era só para assinantes...
ResponderEliminarBeijocas
Verdade!
ResponderEliminarE do teu texto vou focar-me principalmente nos títulos sensacionalistas que nos levam a clicar para ler o desenrolar do assunto! É frustrante percebermos que aquilo nada mais foi do que obrigar-nos a clicar para depois percebermos que o titulo nada tem a ver com o assunto final!
Já eliminei muitas páginas de facebook às custas disso!
Grande abraço e bom resto de domingo!
Quanta "xico espertice" existe ......
ResponderEliminarBeijinhos
Resto de um Bom Domingo!
Daqui pouco não saberemos se o conteúdo é exclusivo para quem paga ou para quem mais tem de o procurar... :-\
ResponderEliminarNão sou fã de jornais digitais.
ResponderEliminarÉ o sinal dos tempos modernos. Não há como evitar. A notícia passa a ser secundário, o foco está no clickbate. É triste. Já não se faz notícias como antigamente: Títulos informativos diretos e sintéticos, que englobem pelo menos metade do "quem, quando, onde, como, porquê?". AGORA é exatamente isso que se remove, para que a sua ausência (ausência de notícia/informação substituida por especulação/vagas palavras) leve as pessoas a clicar. Eu me recuso. Quando um título não dá o mínimo dos mínimos, posso até comentar, mas não abro a notícia e o comentário pode incluir o desagrado pela técnica do clickbate. Aliás: não é só "às vezes" que esta desilude. É sempre!!! Abre-se a notícia para se descobrir que não tem notícia alguma.
ResponderEliminarhttps://gritaportugal.blogspot.com
Comecei o dia a aturar uma dessas.
ResponderEliminarAquele abraço, boa semana