Leituras do Último: A queda dum anjo

Pela primeira vez li uma obra de Camilo Castelo Branco: A queda dum anjo.


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Quando comecei a ler a obra, chamou-me a atenção o vocabulário de Camilo. Muitas das palavras já não se usam hoje em dia o que constitui um desafio, embora se vá percebendo perfeitamente o significado da frase.


 


A personagem principal é um deputado que troca Trás os Montes pelo Parlamento em Lisboa. Estamos a falar do final do século XIX, altura de Camilo.


 


O "anjo" caracteriza-se por ser um acérrimo defensor da moral e bons costumes. Muita retórica, muito blá blá inútil e conservador, como os saudosistas e guardadores da moral e bom costumes gostam.  Vai subindo na vida e nas cortes políticas, arranjando uma amante. Uma brasileira, avantajada, o oposto da sua mulher provinciana e campónia. O dilema da personagem coloca-se na sua imagem política e no dinheiro da sua esposa de casamento. Para viver, o "anjo"  preciso do sustento da mulher que o envergonharia em Lisboa. A piada do livro é perceber como será a queda do anjo. Camilo fugiu ao cliché das novelas e foi pela via mais ética. O deputado prescindiu e deu o divórcio à mulher traída e ambos seguiram o seu caminho sem ficarem presos ao passado e a vinganças.


 


Sobre a escrita de Camilo constatei que revela tal e qual a mentalidade portuguesa: ineficiência.


Páginas e páginas "à volta". A acção não avança. 150 páginas a engonhar, para depois nas 100 finais a história ganhar emoção e ter o seu interesse. O português é assim: deixa tudo para a última. É na seleção, é no trabalho, é na pagamento de impostos. Até nas literatura...

Comentários

  1. Olá! :-)
    Deve ser um gene especial, "made in Portugal"!!!
    Resto de dia Feliz!

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  2. É engraçado verificar que o tema dessa história continua tão atual.

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  3. Odeio que engonhem! Definitivamente, não é para as minhas leituras.🤣🤣🤣

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  4. Ups, creio também nunca ter lido nada dele.
    Imperdoável.
    Podes fazer um exercício, que me leva a perder tempo e tempo, durante a leitura de um livro: vê como pontua e procura o significado das palavras desconhecidas ;)

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  5. Onde é que já vimos isto...? ;-)

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  6. O Camilo tinha de escrever de noite, para comer de dia! A escrita dele é uma delícia,conseguia fazer chorar as pedras da calçada. Quanto ao engonhar, talvez as obras valessem pela quantidade de páginas.
    Tens de ler O Amor de Perdição.

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  7. Não faz o meu género... E lá está, agora ando numa de livros de quase auto-ajuda a ter pensamentos positivos.

    Beijocas

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  8. A primeira vez que li Camilo Castelo Branco [Amor de Perdição] detestei, porque foi uma leitura imposta e acabei por não me relacionar com a história. O ano passado, decidi relê-la e gostei bastante! Gostei tanto que acabei por comprar A queda dum anjo. No entanto, este ainda não o li

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  9. Gostei da piada, deixar tudo para a última!
    Afinal já os escritores antigos tinham isso em conta...
    Abraço.

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  10. Nunca é tarde para ler Camilo Castelo Branco.

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  11. Li o Anjo, li e fiz o levantamento da obra ( obrigatória) a Bruxa de Monte Córdova, na universidade.
    Tenho várias obras dele, hei-de voltar a elas, algumas esquecidas, como o caso de O Anjo

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  12. É bem verdade... mas, antes tarde que nunca, não é?

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  13. Companheiro,

    Não estou nada de acordo. Camilo tinha um espirito muito romântico. E naquela época escrevia-se assim.
    Depois veio Eça que em dez páginas descreveu uma sala.
    São estilos de escrita.
    Bom fds.

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  14. Sem dúvida. uma boa história com um final inesperado mas que conseguimos rever hoje em dia.

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  15. Sem dúvida. Gosto de autores portugueses. Já li vários, mas camilo ainda não. foi a primeira vez.

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  16. critico isso neste livro. Muita palha no início e no meio. só no fim ganha algum interesse. :)

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  17. o vocabulário é abundantemente desconhecido de hoje em dia, ou melhor muitas expressões caírem em desuso ou eu não conheço :) se fizesse esse exercício nunca mais o acabava de ler e então aí ainda seria mais penoso para a história avançar. porém, consegue-se perceber o rumo da narrativa.

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  18. Por isso tenho dificuldade em ler.
    Reflito a respeito de frases, sublinho palavras...
    Como estou a ler Lunário de Al Berto (que escrita tão rica) optei por ler e refletir. Depois farei o levantamento do vocabulário e estudarei alguns recursos estilísticos (que são maravilhosos!)

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  19. Pessoalmente achei que tem muita palha. Mais valia engonhar menos e colocar mais enredo. é a minha opinião :) . um dia. agora vou ler outro autor para variar :)

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  20. Há um filme sobre a vida dele.
    O António Variações da escrita.

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  21. Já vem de longe eheheh pelo menos nesta obra de camilo.

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  22. Ontem escrevi num comentário que quando lemos as obras por nossa iniciativa em vez de ser "obrigatório" tem sempre outro significado. Deixamos de estar atentos aos pormenores (figuras de estilo por ex.) e deixamo-nos levar pela estória :)

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  23. é mesmo. vamos sempre a tempo de ler autores portugueses :)

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  24. Claro, mas nesta obra fiquei com essa imagem e gosto de escrita mais prática. Noutras obras pode não haver tanto engonho, mas nesta houve. É à tuga.
    Mas olha que a A Relíquia de Eça no aspeto do engonho é melhor não falarmos do calvário que é ler o terceiro capítulo!
    Já o conde de abranhos não senti isso.

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  25. A sério??? Nunca leu o "Amor de Perdição" ? era o livro preferido da juventude do meu pai e eu assim que pude comprei, para além desse li ainda o "Estrelas Propícias", "Folhas Caídas", etc.

    Quanto ao "engonhar" tal e qual o Eça Queirós nos "Maias", o Júlio Dinis na "Morgadinha dos Canaviais" ou o Almeida Garrett nas "Viagens na minha terra" em que só no X capítulo começava a acção.

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  26. nunca li, mas vai-se sempre a tempo :)
    Estou a ver que é um defeito geral. Reflete a nossa cultura. No futebol é a mesma coisa. :)

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