No grupo que foi comigo ao Gerês no domingo, conheci uma rapariga da minha idade, mas com um percurso profissional muito diferente do meu, mas muito cru.
Dizia-me ela que tirou a licenciatura em Comunicação e o mestrado em assessoria empresarial.
O problema foi arranjar emprego digno na área dela: ou ofereciam estágios não remunerados, ou o salário mínimo por longas jornadas de trabalho. Acrescentou que na área dela, o factor "cunha" era determinante.
[lembrei-me de imediato de uma cara bonita que é apresentadora do Porto Canal, mas tem formação em Direito e o pai é um conceituado advogado do Porto].
Atualmente estava a trabalhar numa loja de shopping e era o melhor que arranjava. Um trabalho digno, relativamente bem remunerado para o que é e para a pressão e responsabilidade que tem.
Apesar de ter estudado 5 anos, não tinha expectativa de arranjar trabalho na área.
Disse ainda que na loja dela, a gerente só contrata pessoas licenciadas, mesmo sabendo que possa ser temporário, mas a experiência diz que essas pessoas levam o trabalho mais a sério.
Dou por mim a pensar na sorte que tenho e que tive em trabalhar sempre na minha área, sem recorrer ao factor "c".
É verdade, é um luxo nos dias de hoje trabalhar na área que se estudou.
ResponderEliminarTêm criado algum emprego. Mas que emprego, muito mal pago!
ResponderEliminarMuitas vezes acontece, licenciados concorrerem para empregos onde não é exigida licenciatura e não serem admitidos por terem formação "a mais".
ResponderEliminarTrabalhar num shopping, seja qual for o ramo de comércio, é muito exigente, a nível de horários, fins de semana, etc.
Só mesmo para quem não encontra mais nada.
Nunca tive o factor "c", mas infelizmente também estou +/- como essa tua colega. Nunca trabalhei na minha área e nem sei se algum dia irei trabalhar.
ResponderEliminarComecei a ganhar gosto por contabilidade/facturação/cobranças e talvez seja isso que queira fazer, mas e sorte para conseguir esse trabalho? =/
Beijocas
É o retrato de tantos dos meus alunos...
ResponderEliminarE muitos deles, brilhantes.
Na verdade, o "fator C" já chegou à educação (como é possível!!!). Eu vi colegas não terem colocação, com melhor graduação e currículo, face a outros, muitos deles acabados de sair das faculdades,... Eu vi e senti tanto, mas tanto nojo. Odiei os anos que permaneci numa dessas escolas. Claro que, pela forma como escrevo, estou certo que consegues concluir que não mantive relações cordiais com a direção... E orgulho-me de tal.
Admiro essa gerente. Procurei muitas vezes trabalho e recusaram-mo por habilitações a mais. É que aqui há uns anos atrás não havia subsidio de desemprego para os professores e eu já tinha contas para pagar. De facto é uma sorte hoje em dia os jovens conseguirem emprego na formação que têm no nosso país.
ResponderEliminarUm drama que vem desde os meus tempos de juventude - estudar e depois, no final do curso, ver as portas fechadas.
ResponderEliminarRevoltante!
Conheço bem essa história, é a minha.
ResponderEliminarPor isso, ao fim de 4 anos de experiência, 7 anos depois de ter saído da faculdade com o melhor curso de Comunicação do país, sendo uma aluna Top 20 do meu ano e Top 5 na minha especialização, se quis tentar algo mais do que o temporário, o mesquinho e o mal pago (passei 3 anos em estágios, em recibos verdes, em "experiências")... mudei-me para Lisboa.
Verdade que tenho "sorte" e nada de factor "c", mas a nossa área é ingrata, porque muitos acham que basta um cara bonita, a muita cultura apenas acessível às classes mais altas, e "qualquer um pode fazer o nosso trabalho".
Querer licenciados a vender numa loja?
ResponderEliminarÉ assustador, qualquer dia a licenciatura é a formação obrigatória.
O que restará para aqueles que não querem, nem precisam de um curso superior para a área laboral que querem envergar?
Marina
Tivesse eu cedido ao "factor C", mais que uma vez, e hoje era um senhor :-)
ResponderEliminarComo não cedi, também sou um senhor, mas não é fácil... Mesmo como melhor aluno da turma num curso e top 5 no outro... Como te entendo... E não se chama cunha, chama-se "networking", dá um "look" mais fino à palavra "pulhice" :-)
Pulhice que vem de longe.
ResponderEliminarUma tristeza.
É muito frustrante sentir que a meritocracia não funciona e/ou outros factores passam à frente :(
ResponderEliminarNas lojas paga-se o salário minimo, abono para falhas, domingos a dobrar e prémios de vendas. Num estágio, é só o salário minimo.
ResponderEliminarPelo que percebi do relato e de outras opiniões que vou ouvindo, esta geração pós crise não leva o trabalho a sério. Vai 2/3 dias e depois não aparece. As pessoas com ensino superior são mais maduras e dão peso à responsabilidade e à necessidade de manter o emprego. Além disso, têm mais versatilidade em falar línguas, numa altura em que há mais turismo.
ResponderEliminarPelo que percebi do relato e de outras opiniões que vou ouvindo, esta geração pós crise não leva o trabalho a sério. Vai 2/3 dias e depois não aparece (2 pessoas diferentes mo disseram).
ResponderEliminarAs pessoas com ensino superior são mais maduras e dão peso à responsabilidade e à necessidade de manter o emprego. Além disso, têm mais versatilidade em falar línguas, numa altura em que há mais turismo.
a sorte é apenas um pequeno fator... acredito que somos nós que construímos a nossa sorte
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