Regresso à leitura take 1: Navegador solitário

Como sabem resolvi retomar o hábito da leitura. Uma das sugestões que foi dada foi o "Navegador Solitário" de João Aguiar.


 


Confesso que não conhecia o autor, nem fiz batotice de ler os resumos nem as opiniões de outros bloggers. Queria matar aquela saudade de ler um livro até ao fim e descobrir o final! Não me arrependi. Dei por muito bem empregue o meu tempo.


O livro retrata o percurso de vida de um jovem miúdo entre a adolescência e o início da fase adulta sob a forma de um diário. Um diário forçado por uma esotérica imposição do falecido avó Aquilino). Os capítulos  têm nomes de marcos importantes na história portuguesa que fazem o paralelismo com o percurso de vida do protagonista, Solitão Fernandes.


O início é uma comédia, onde se preserva os erros de escrita e a inocência de um rapaz de 16 anos. À medida que o tempo e o diário vão avançado, a escrita vai refinando, tal como o interesse na história vai aumentando. Neste percurso de vida deste jovem dos anos 80/90, aborda-se temas tão atuais (em 2016) como: a prostituição infantil, a dependência das drogas, a emigração, a promiscuidade entre futebol e política, a promiscuidade entre sociedade de advogados e a ascensão nos partidos, os casamentos de conveniência, o abandono escolar para ajudar no negócio dos pais e a encarnação tão real da expressão: "Não há almoços grátis". A ambição deste jovem levou-o a pagar a um preço elevado ao ponto de ser pago por serviços sexuais ao seu patrão, que é também o seu futuro sogro.


 


O desfecho do livro surpreendeu-me. A personagem tinha tudo para alcançar o que sempre desejou, ou o que o seu exotérico avó queria para ele: um emprego garantido e prestigiado, uma carreira política bem encaminhada, um sogro rico, poderoso e que fazia tudo por ele, uma mulher abastada e que não fosse ciumenta.  Porém, percebeu que tudo tinha um preço: a felicidade efémera, os favores sexuais que o sogro lhe exigia e a distância da família. Prescindiu dessa categoria "de sonho" e procurou a sua dignidade junto dos seus.


 


Recomendo o livro. De fácil leitura e surpreendente.

Comentários

  1. É um bom livro para recomeçar o hábito de ler: é de leitura fácil, é divertido, toca em temas interessantes e a forma de escrita é para mim muito cativante. Fico feliz por teres gostado. Efectivamente nesta vida só os amigos é que nos pagam almoços.. por isso cuidado com os favores e favorzinhos que há sempre um preço elevado para cada favor que se faça!

    Só um reparo, o nome do autor é João Aguiar (não Garcia...)

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  2. Entusiasmou-me!
    Quem sabe não me passará pelas mãos!

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  3. Obrigado pelo reparo. Já corrigi.

    É mesmo só os amigos pagam almoços ... ou jantares e quando menos se espera cobram-nos os favores que fizeram. Este livro revela bem a essência humana.

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  4. Recomendo. É porreiro e de fácil leitura!

    Abraço

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  5. Verdade. E confesso que desejei ao Solitão um fim trágico, para ser castigado por querer viver na luxuria a todo o custo.. mas ele redimiu-se coitado, e até gostei dele. ;)

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  6. Eu também gostei dele. Acho que a certo ponto, ele ficou influenciado pela ambição que o avô queria que ele tivesse. Mas mostrou que a dignidade e o sentimento verdadeiro estão acima de uma carreira política, ou de um casamento que traria riqueza e promoção social, mas não a felicidade. Uma boa lição.

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  7. Nunca li esse livro. Fiquei entusiasmada!

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  8. Nunca li este livro, mas um livro é sempre um pedacinho de um mundo paralelo que temos à nossa disposição.. Adoro ler =)
    Beijinhos

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  9. Acabei ontem, pois foi o livro que me "calhou" este mês no Livro Secreto... e adorei o Solitão ;) Por isso aconselho vivamente!

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  10. um tema actualizadissimo, sem dúvida. A própria evolução do Saltitão pode ser encarada como a evolução de muitos jovens

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